22 de agosto de 2010

Egrégora

E G R É G O R A

As necessidades psicossociais do mundo atual nos faz lembrar esse vocábulo, egrégora, pouco conhecido, mas que com certeza se levado a sério pode nos ajudar a melhorar  muito nossa vida em comunidade.
Primeiramente tentemos defini-lo: egrégora é uma palavra de origem grega. É um conceito de pouco uso, tanto que não consta de dicionário. Vem do grego egregoroi que significa força, energia. Porém essa potencialização só seria possível pela união. Uma só pessoa jamais poderia criar uma egrégora. Ela só existe a partir da fusão de fluídos, vontades, desejos, intenções de mais de uma pessoa. Isso já é provado cientificamente para os crentes na ciência e espiritualmente para os imbuídos da fé cristã.
“Pois onde se acham dois ou três reunidos
em meu nome, aí estou eu no meio deles.”
Mateus 18:20.
Na ciência médica, por exemplo, há como medir essa energia através de uma técnica, criada talvez acidentalmente, por um técnico eletricista russo chamado Semyon Davidovich Kirlian, a chamada Kirliangrafia, ou, mais recentemente a bioeletrografia. (será melhor explicitada em outra crônica nesse mesmo trabalho). Com esse processo mede-se o que os especialistas chamam de aura.
Portanto todos nós possuímos essa energia, que é invisível, mas real e que em somatório com outras produz efeitos positivos ou negativos, benéficos ou danosos, dependendo do grau de consciência e controle do grupo originário dessa egrégora. É impossível nos livrar de sua influência. Podemos sim, controlá-la a partir do conhecimento de sua existência e da consciência de seu poder, porém jamais sozinhos, sempre em união com uma ou mais pessoas. O desconhecimento dessa força é muito prejudicial para uma comunidade. Carl Jung já caminhara nesse sentido trabalhando o que ele chama de “inconsciente coletivo”.
Devemos ter consciência também que todo grupamento humano, reunido com determinado objetivo é criador de sua egrégora. E como um ser vivo ela se alimenta da produção vital de seus criadores. Daí, se um grupo produz inveja, ódio, rancores, a egrégora desse grupo se fortalece cada vez mais com esse vitamínico fluído. Por isso é que se diz que violência gera violência. Por outro lado, se alimentarmos nossa egrégora da família, do clube, ou do trabalho, com amor, solidariedade, justiça, enfim, de intenções saudáveis, ela tenderá a nos induzir a continuarmos cada vez mais fortalecidos desses sentimentos.
Outro aspecto importante nesse estudo é termos conhecimento da incompatibilidade das egrégoras. As semelhantes são incompatíveis. Por exemplo: um homem pode ter uma egrégora de família, outra de time de futebol, outra de igreja, etc. Porém não daria certo para esse mesmo homem alimentar as egrégoras de duas famílias, dois times ou duas religiões.
Concluindo, podemos entender que seria relativamente fácil conduzir a humanidade para um caminho de menos violência, mais harmonia e paz.  O difícil é que não podemos fazer isso sozinhos. Dependemos do outro. Precisamos uns dos outros para criarmos nosso ambiente saudável e benéfico. Mas termos consciência disso já é o primeiro passo.
Caminhemos...

José Moreira Filho
Acadêmico da ALAMI
moreira@baciotti.com

5 de agosto de 2010

Ser Pai

Ser Pai

Ser pai é ser teleológico
é se projetar para o futuro.
É acreditar na vida mesmo depois da morte.
Ser pai é exigir, treinando a tolerância.
É ensinar sem interferir.
É assistir ao erro torcendo pelo acerto.
É falar sem ser ouvido, é ser deixado para depois.
É abrir caminhos e sinalizar fronteiras.
É saber que sua experiência serve para você, o seu filho deverá ter a dele.
Ser pai é nascer várias vezes, talvez a cada década, mas a cada vez com uma alma nova, com um espírito diferente.
Ser pai é ter fé, é acreditar que o amanhã será melhor que o hoje.
Ser pai é caminhar para o paraíso, mesmo sem a certeza de alcançá-lo.
É deixar pegadas o mais nítidas possível, mesmo sabendo que poderão não ser seguidas.
Ser pai é sentir a dor do filho, é rir o seu riso, é curtir a sua vitória, é formar-lhe o  caráter com palavras tão suaves como mãos habilidosas que moldam um vaso de argila. E com toques sutis fortificar sua vontade de vencer.
Ser pai é dar asas à imaginação, é sonhar um filho rico, poderoso, artista, jogador de futebol, cientista... e talvez, depois, segurar a frustração com alegria nos lábios.
Ser pai é, muitas vezes, abrir mão de carinho, de atenção, de elogios, que a mãe, nem sempre com justiça, precisa direcionar aos filhos. Mas acima de tudo, ser pai é ser abençoado. É colaborar com Deus para o aparecimento de uma nova vida. É ser co-participante do Plano da Criação.
Ser pai é ser um Oleiro Sagrado.

José Moreira Filho
Acadêmico da ALAMI
moreira@baciotti.com

MINHA HOMENAGEM A TODOS OS PAIS

10 de julho de 2010

A Metafísica do Futebol

A Metafísica do Futebol

Observando as Razões da Derrota
Brasileira na Copa do Mundo de 2010

Sílvia Lúcia de Oliveira

"... Assim como hoje o povo do Brasil usa a força do
 pensamento de modo pouco eficaz, com a esperança de obter
metas futebolísticas e de escassa importância real, no futuro o
mesmo povo poderá usar essa força para superar seus desafios
culturais, econômicos, sociais e ambientais." [1]

Perdemos, pois nem sempre se pode ganhar. Óbvio.

Perdemos, porque o time adversário estava vivo, correndo no campo, jogando, disputando a bola e mirando o gol. Óbvio.

Perdemos, posto que para fazer um gol, além do talento, há de se ter um sopro de certeira boa sorte.  Assim como a bola por um triz entra, por outro triz fica de fora da trave que separa o sucesso do fracasso. No placar não são contados os quase gols. Óbvio.

Perdemos, porque há variados talentos, esforços e sortes distribuídos em todas as nacionalidades; não são patrimônios exclusivamente brasileiros. Óbvio.

Perdemos porque não se pode ganhar sempre o jogo, e era só um jogo.  Óbvio.

Tudo isto absolutamente óbvio. Pois estas obviedades trazem lições para a vida, ou podem trazer se forem analisadas.  Muita sabedoria está assim, ao alcance de quem observa aquilo que lhe salta aos olhos. A vida é generosa em situações óbvias, mas a mente desatenta não as enxerga. Absorta em milhares de distrações, pouco reflete e vai perdendo preciosas oportunidades de aprender, de evoluir.

As vivências cotidianas só nos servirão de lembranças se estiverem ligadas a algum aprendizado e aprendemos muito mais coisas com as derrotas do que com as vitórias.  Porém, se buscarmos nas prateleiras de uma livraria,  encontraremos ampla variedade de títulos sobre o mesmo tema: receitas de sucesso.  Se seguidos à risca todos os passos recomendados, raramente alcançamos o mesmo resultado dos autores destes livros.

O sucesso parece como aquela água que se vê ao longe sobre a estrada e que, ao nos aproximarmos, descobrimos ser apenas uma ilusão de ótica. Os sucessos – em quaisquer áreas - são fugazes, passageiros, perigosamente ilusórios. As glórias alcançadas costumam vir acompanhadas da traiçoeira fama, inspirando orgulho e vaidade; insuflando o ego com arrogante autoconfiança. Seu efeito mais danoso pode ser constatado nos percursos meteóricos de alguns conhecidos personagens do mundo das artes e dos esportes - carreiras promissoras destruídas pelos excessos de dinheiro e de fama.

Já as decepções, se bem aproveitados, são capazes de promover positivas transformações.  As derrotas colocam as coisas no seu devido lugar: demonstram a fragilidade humana. Os fracassos são férteis semeadores de pensamentos virtuosos: humildade, autocrítica construtiva, reconhecimento do valor alheio, solidariedade.

Da recente frustração futebolística se podem colher vários aprendizados: a Copa do Mundo não era brasileira por antecipação; os bem pagos jogadores não são heróis e nem estavam a serviço da salvação da pátria. E a pátria amada Brasil tem coisas mais importantes para pensar e para resolver. Óbvio.

NOTA:
[1] Carlos Cardoso Aveline, "O Brasil e a Força do  Pensamento", http://www.filosofiaesoterica.com/ler.php?id=409 . (Seção temática "Brasil",  em www.filosofiaesoterica.com . )

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O artigo acima foi publicado também no jornal diário "Agora", na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul.  Título original: "Perdemos. Óbvio."
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27 de junho de 2010

Razão e Emoção

Razão e Emoção

O escritor libanês Khalil Gibran escreveu certa vez que "a vossa alma é muitas vezes um campo de batalha, em que a vossa razão e o vosso julgamento estão em guerra contra a vossa paixão e o vosso apetite".  Esse pequeno trecho do livro "O profeta" traz a luz a dicotomia existente na cabeça (e no coração) de cada ser humano.

São várias as situações no dia-a-dia que nos levam a pensar duas vezes antes de agir. Talvez com o passar do tempo passamos a enxergar as situações do cotidiano sob novo prisma e somos levados a, talvez temperados pela sucessão de situações já vividas, a dominar a emoção e fazer melhor uso da razão.

Os 12 trabalhos de Hércules já ensinavam sob a figura alegórica do mito que a saída das situações é o uso da cabeça, da reflexão. Dotado de força sobrehumana, literalmente quebrava a cara quando tentava resolver problemas apenas com o uso da força. Porém, quando fazia uso do pensamento crítico e racional, tal como no episódio onde limpou os currais do rei Aúgias desviando o fluxo de rios, ele verdadeiramente solucionava problemas.

De qualquer maneira essa dialética é constante na vida do homem pois nos vemos algumas vezes em situações onde temos a razão obscurecida pelo fervilhar de emoções sejam elas emoções más como a raiva ou a ira  ou emoçoes boas como a paixão. Talvez você já tenha passado por situação semelhante onde quando caiu em si percebeu que havia tomado uma decisão por impulso e caso tivesse pensado com calma e usado a razão não teria tomado o mesmo caminho.

Ao pesquisar a respeito e até mesmo conversar com amigos percebemos que a maior parte das pessoas irá defender a preponderância da razão sobre a emoção sempre e em qualquer situação. Alguns argumentam ainda que a emoção não controlada, não aprisionada, seja uma fraqueza. Porém, vamos tentar analisar um pouco melhor essa discussão: Aristóteles distinguiu as virtudes do homem entre aquelas derivadas da razão, ou virtudes intelectuais como o bom senso e também as derivadas da emoção como por exemplo a justiça e a coragem. Para o grego, ambas deviam conviver pois tem seu valor.

Ou seja, ele valorizou cada um dos lados e procurou encontrar a Justa Medida que deve ser buscada por cada pessoa. As filosofias orientais também conhecem esse pensamento e chamam de "O Caminho do Meio", ou seja, o equilíbrio que deve ser encontrado em situações antagônicas. Porque não deixar ocorrer esse bom combate? Afinal, não está a dualidade sempre presente? Para que discutir por exemplo se o melhor é saber a teoria ou ter a prática? Você precisa dos dois!

Não estou defendendo que devemos viver apenas orientado a sonhos, mas sim que devemos aprender a fazer o bom uso das emoções, da intuição e saber dosar isso com o uso da razão.

Concluo citando mais uma vez Gibran, o qual apimenta essa discussão dizendo "a vossa razão e a vossa paixão são o leme e as velas da vossa alma navegante. Se um de vós navegar e as velas se partirem, só podereis andar à deriva ou ficar imóveis no meio do mar. Pois a razão, só por si, é uma força confinante; e a paixão, não controlada, é uma chama que arde provocando a sua própria destruição".

Tiago Baciotti Moreira, 27 de junho de 2010.

15 de junho de 2010

SUA MAJESTADE, A BOLA

É interessante pensar a vida a partir da bola. Afinal todos nós já tivemos pela vida afora algum momento de contato e de intimidade com ela. Antes de nascer vivemos nove meses dentro de uma. Depois, sugamos nosso primeiro alimento agarrados, grudados numa bola, que anatomicamente nos completa. Depois, o primeiro brinquedo, especialmente se formos um garoto, é uma bola. Vivemos na terra que é uma bola e durante a vida é comum sentirmo-nos numa bola de neve.
Por outro lado, na adolescência e juventude, nosso esporte seguramente é o futebol, hoje para ambos os sexos. Comigo, como não poderia ser diferente, tive meus minutos de glória ao disputar uma partida oficial – Estádio Palma Travassos – quando em derrota fragorosa, para o Comercial, tive o privilégio de marcar o único gol do meu time. Hoje não sou torcedor de nenhuma camisa, talvez por ver o sonho virar comércio e o ideal negociata. Embora, por solidariedade a dois filhos, nutra simpatia pela rubro-negra. Mas quando o Brasil entra em campo, o patriotismo fala mais alto, o Hino Nacional tem um som diferente e realmente o coração vibra mais forte. É talvez o momento em que os brasileiros são 100% solidários, pois são nessas horas, quando os sentimentos afloram de maneira intensa, que o nosso consciente bloqueia outras preocupações, para que o cérebro consiga administrar tanta emoção.
Estamos agora em plena Copa Mundial e já nos preparando para a próxima, da qual seremos sede e que, essa sim, será nosso desafio maior. Pois, podemos até perdê-la dentro do gramado, mas imperiosamente teremos que vencê-la como anfitriões.  E aqui meu temor é grande, pois é uma situação que envolve política e grandes somas em dinheiro, dois ingredientes, que em nosso país, tem dado provas de produzir bolos absolutamente intragáveis.
Torçamos, e por que não, oremos, já que Deus é brasileiro, para que possamos, pelo menos agora, coadunar futebol com seriedade, beleza com eficiência e gastos com honestidade.
Além disso, nossa responsabilidade é enorme com relação a infraestrutura. Estaremos prontos dentro de 4 anos?  Só para citar um exemplo: Para o especialista em uso racional da água, Paulo Costa, diretor da empresa H2C, embora o Brasil seja o primeiro país em disponibilidade de água doce do mundo, a poluição e o uso inadequado comprometem o recurso em várias regiões do país. Essa é uma preocupação sua em relação ao consumo de água durante a Copa. Diz ele: “Como justificar que o país que detém 13% da água doce do mundo, não possui políticas ambientais consistentes para o tema e pode vivenciar racionamento de água durante os maiores eventos esportivos do planeta?”
Bem, cabe às autoridades competentes e responsáveis a ação profícua, no sentido de planejamentos e execuções para que, quando sua majestade entrar no tapete verde, possamos cantar com Jorge Ben Jor : Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, mas que beleza!

José Moreira Filho
Acadêmico da ALAMI
moreira@baciotti.com

31 de maio de 2010

AS SOMBRAS DA ATUALIDADE

Por que milhares de pessoas estão agrilhoadas nos seus sofás admirando o fundo da caverna? Enfeitiçadas pelas imagens reproduzidas e nem tomam conhecimento da verdade verdadeira? Se esquecendo que “a verdade está lá fora” ? Admiram, acreditam nas sombras vistas e não se dão conta de que a realidade é outra. E aos que se libertam desta letargia e tomam contato com a luz, com o sol brilhante e energizante e tentam alertar os demais, esclarecendo que existe um plano maior sobre tudo e sobre todos, são tidos como loucos. E tal insanidade é castigada com a morte. Assim tudo continua como dantes no reino de Abrantes.
É preciso que os destemidos continuem usando os meios disponíveis para alertar e despertar cada vez mais pessoas para perceberem que, além dessa caverna, existe lá fora um mundo real. Para deixarem esse mundo só de sombras onde estão projetando sua própria imagem na telinha. Mas será necessário muita paciência, pois segundo o autor da alegoria da caverna, Platão, para sair das sombras e se deparar com a luz, deve-se obedecer um processo lento e gradual. A ninguém é possível fazer-se essa transposição instantaneamente. Mas o que é realmente importante é o nosso querer. É preciso que queiramos sair do nosso conformismo patético para conhecermos de fato a realidade. Chega de nos  satisfazermos com as sombras da vida. De aceitarmos como verdadeiro as fraudes que se nos apresentam diariamente.
É preciso duvidar, indagar, questionar. Por que temos que aceitar tacitamente, sem discutir, o que nos apresentam como verdade? As maiores descobertas da vida surgiram da dúvida, da curiosidade. Segundo Platão é necessário que desarmemos o pensamento falso. Então devemos sentar frente a nossa telinha munidos de consciência crítica para conseguirmos filtrar as mentiras, dissecar os processos de convencimentos comerciais capitalistas, para então depararmos com a luz. Mesmo que tenhamos que abrir os olhos devagar, para não sermos cegados pela luz, vale a pena tentar.
Agora é a hora. Vai começar a grande corrida pelo poder. E nessa competição vale tudo. Inclusive e principalmente maquiar a verdade. Fazer sombras tão perfeitas que aos incautos parecem a mais pura e cristalina realidade. Assim, cabe a cada um saber a diferença entre crer na verdade e conhecer a verdade. Cuidado com o que lhe fazem crer, pode ser apenas a sombra da verdade. Porem se buscar o conhecimento, esse sim, lhe levará à realidade.
Afinal, já nos foi ensinado isso há mais de dois mil anos: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João, 8 – 32)

José Moreira Filho
Acadêmico da ALAMI
moreira@baciotti.com

6 de maio de 2010

DEUS É ELA

DEUS É ELA

Tenho pensado que Deus não deveria ser Ele, mas Ela. Isso porque são tantos os atributos de Deus presentes na mãe que seria mais lógico pensar um Deus feminino.
Deus é amor, e o maior reflexo de amor na terra está na mãe. Deus é perdão, e a mãe defende o filho até quando criminoso. Deus corrige e educa, e a mãe desde o berço ensina o melhor caminho a seu filho. Deus não castiga, simplesmente permite a ocorrência de situações adversas a nossa vontade e que nosso conhecimento não consegue compreender, e a mãe vê o filho chorar, brigar por algo que não lhe é permitido, mas que não será para seu bem. Deus conhece seus filhos um a um, é o bom pastor, e a mãe na madrugada, no escuro, sabe qual filho está chegando em casa somente pelo jeito da entrada. Como já disse João Paulo I, o Papa-sorriso: “Deus é Pai e Mãe”. Posição reforçada por Erasmo Carlos em sua canção Feminino Coração de Deus: “O coração de Deus é feminino / É a força de toda criação / Capricho do destino, a mãe da invenção”.
E por que então nos referimos a Deus como masculino, somente como pai? Talvez a história da humanidade nos esclareça isso. A supervalorização do homem, do macho e do provedor em detrimento da valorização da mulher por séculos, com a aquiescência da igreja, vem justificar de certa forma, essa conduta. A historiografia universal foi conduzida sempre sob a ótica masculina. Em todos os fatos históricos a presença masculina é marcante. Noé construiu a Arca, Moisés conduziu seu povo, Os maiores filósofos clássicos foram Sócrates, Platão e Aristóteles, as Grandes Navegações foram feitas por homens.  As Revoluções Industrial e Francesa idem.
Assim sendo parece natural que Deus seja um Homem, mas seria no mínimo justo de nossa parte, evidenciar no papel de mãe todas as características divinas. Deveríamos ter a gratidão social de reconhecer na mãe a presença de Deus e respeitá-la como tal.
É hora, portanto, de repensar essa teologia androcêntrica e perceber mais um Deus da bondade, do amor, do perdão. Um Deus protetor e carinhoso. Um Deus amigo e cúmplice .
Um Deus mãe.

Com meu carinho pelo seu Dia !
Moreira.

ITUIUTABA, Maio de 2010

16 de março de 2010

A DECANTADA DEMOCRACIA

Desde os idos tempos da antiguidade clássica, que romanos e gregos já reverenciavam essa forma de governo que se propõe ser a mais justa e adequada à convivência humana. Porém sabemos que sua história é repleta de incoerências e interpretações eiradas de conveniências.

Etimologicamente esse conceito nos sugere que o povo é quem governa. (Demo + cracia) governo do povo. Sugere também que, com ela, a vontade coletiva ou da maioria está sendo respeitada através da representatividade. Mas hoje, e especificamente no Brasil, são tantas as máscaras que colocam nessa forma de governo, que acabam travestindo-a em faces encantadoras, então aplaudidas pelos menos avisados, mas que na verdade esconde uma realidade cruel sustentando o governo de uma minoria. Onde está a vontade da maioria, por exemplo, quando vemos milhares de pés de laranja serem destruídos pura e simplesmente pela decisão de um grupo que nem identidade social tem? Portanto, juridicamente, nem existe? Essa ação vai despertar realmente a atenção das autoridades para o problema agrário? Por exemplo, a questão da monocultura? Todos sabemos que existem muitos erros em relação à reforma Agrária, mas algum deles justifica esse? Onde está a vontade da maioria, quando o Congresso Nacional, composto por nossos representantes legítimos, decide coisas sabidamente polêmicas e que na verdade vem de encontro a vontade popular? Exemplo A PEC 336/2009. Agora mesmo, precisamos acompanhar para ver no que dá, o projeto de iniciativa popular, avalizado por 1,3 milhão de assinaturas e batizado de “Ficha Limpa”, que impede a candidatura de pessoas com certas pendências judiciais. Muitos dos que vão votar esse projeto, são exatamente os “Fichas Sujas”. E aí? Quem está acostumado a legislar sempre em causa própria vai agora atender o clamor da massa?

Essa é a nossa democracia. A forma de governo que escolhemos e da qual poderíamos dizer: ruim com ela, pior sem ela. Mas é possível melhorá-la e fazê-la realmente representativa. Justamente com iniciativas como o Projeto de Lei encabeçado pelo (MCCE) Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral formado por 42 entidades. É tomando consciência da nossa força, como cidadão-eleitor, que podemos contribuir para a mudança. Claro que essa conscientização não cai do céu. É preciso buscá-la através da instrução, da leitura, da escola, da igreja, enfim da freqüência a ambientes sadios e da companhia de pessoas dignas.

Fora isso, só nos resta mesmo a constatação de Eça de Queiroz: “Os políticos e as fraldas devem ser mudados constantemente e pela mesma razão”

José Moreira Filho
Acadêmico da ALAMI
moreira@baciotti.com

15 de março de 2010

Onde estão os programadores casuais?

Como comentei em um artigo anterior, tive a sorte de começar a mexer em computadores ainda na época do MS-DOS. Naquela epóca, era interessante pois, talvez ajudado pela idade e cabeça livre de preocupações, passava boa parte do tempo envolvido em projetos pessoais totalmente por hobby. Por exemplo, eu não gastaria hoje várias semanas para montar um pseudo-clone de Space Invaders em modo texto. Pois é... eu fiz isso em Clipper.  Setas para direita e esquerda movimentavam a nave e o espaço atirava. E como não poderia faltar adicionei também algumas cheats.

Numa outra oportunidade, já trabalhando com Visual Basic 4, desenvolvi um jogo de xadrez. Não tinha nem chegado ao ponto de colocar as imagens das peças, mas toda a lógica já tinha evoluído bastante. Ainda no Visual Basic, peguei o projeto do joguinho "Nave" lá do Clipper e o construí também no Visual Basic. Bem mais fácil agora, visto que tanto as naves inimigas quanto o nosso herói eram objetos separados e a linguagem orientada a eventos ajudava bastante.

Ambos foram exemplos interessantes para os alunos nas aulas de programação que eram dadas nas pequenas escolas de informática que trabalhei em Ituiutaba. E influenciaram, em parte pelo menos,  alguns alunos a desenvolverem joguinhos simples também. Passava o tempo e ao mesmo tempo "afiava o machado" do candidato a programador.

Seria uma época mais propícia que hoje? Seria a ausência da Internet que nos permitia passar horas e horas no computador programando, melhorando e testando um código sem um MSN nos tirar o foco o tempo todo? Sem a vontade de checar o email a cada 5 minutos? Ou, seriam as ferramentas da época menos formais e mais próximas das pessoas comuns? Ferramentas que instigavam a qualquer pessoa, tendo apenas curiosidade e vontade de aprender, a arriscar algumas linhas de código.

Bom, esse pequeno relato é apenas para chegarmos no ponto pretendido, que é a pergunta título desse artigo. Não sei ao certo, mas hoje aparentemente temos menos programadores hobbystas, casuais mesmo, que a uns 10 anos atrás. Arriscando um palpite, creio que parte disso se deve ao fato que as linguagens antes pareciam mais próximas e amigáveis que atualmente. O próprio Visual Basic, que hoje recebe mençoes não muito honrosas pelos programadores atuais, ajudou contadores, administradores, técnicos em eletrônica, professores, escritores, etc, a desenvolver programas. Pessoas tidas como leigas em informática aprendiam e desenvolviam seus próprios programas que poderiam ser um controle de estoque, por exemplo, ou o que lhes desse na cabeça.

Ok, é claro que isso foi numa época que as leis fiscais não exigiam ainda impressoras fiscais e relatórios a serem apresentados, mas mesmo assim víamos pessoas de diferentes áreas a programarem.

Reforço a pergunta: Onde estão os programadores casuais? Ou melhor, onde estão as ferramentas que ajudaram a propiciar isso? Seria o Python, por exemplo, uma dessas linguagens mais próximas das "pessoas comuns"? Embora, é claro, não possua uma IDE visual como o já citado VB possuía, o Python propicia um desenvolvimento bem simples e as pessoas podem aprender noções de programação com ele sem dúvida. O VB .Net em sua versão Express, embora hoje não seja muito adepto de ferramentas Microsoft, confesso que seria sem dúvida também um candidato a ocupar esse cargo.

Talvez os puristas poderiam levantar a bandeira nesse momento de que programadores precisam conhecer as convenções, os diversos frameworks do Java, bem como todos os conceitos relacionados ao mundo Java ou .Net. Mas vejam bem que minha pergunta aqui é onde estão, de forma análoga aos antigos hobbystas que liam a Saber Eletrônica a uns anos atrás para soldar componentes em uma placa de circuito impresso, aqueles que nas horas vagas enveredavam-se por linhas de código inicialmente por mera curiosidade.

Arrisco ainda, sem querer ser o dono da verdade, que muitos que começaram a programar como hobby sem nunca terem tido uma educação formal na área de informática (na época uma opção era faculdade de "processamento de dados" não era?) hoje estão atuando profissionalmente na área. E começaram desse jeito. Hoje parece difícil para as pessoas entenderem que para darem os primeiros passos na área basta curiosidade. Talvez seja por isso que ainda me perguntam como trabalho  com informática se me formei em Administração. Tá bom, eu gosto mesmo de contar essa história.


Tiago Baciotti Moreira

Biografia de Paulo Coelho: O Mago



Terminei recentemente de escutar a biografia de Paulo Coelho escrita por Fernando Morais. Foram várias viagens para completar toda a audição. Gostei do livro. Já tinha lido bastante Paulo Coelho mas faziam alguns anos que não lia nada novo do escritor. De qualquer maneira o livro mostra como nasceu o escritor Paulo Coelho e como cada evento de sua juventude e idade adulta corroboraram para torná-lo no fenômeno editorial que hoje é.

Mostra também diversos episódios na vida do autor que influenciaram suas obras, como por exemplo quando o autor percorreu o caminho de Santiago.

Bom, logo depois que concluí o livro me lembrei que há alguns anos havíamos encontrado na internet algumas frases retiradas de livros do autor e as disponibilizamos na Internet. Existe inclusive um serviço para recebimento destas frases por email gratuitamente.

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