24 de agosto de 2012

'Estamos nos tornando narcisistas digitais', diz Andrew Keen na TNW 2012

[Fonte: 'Estamos nos tornando narcisistas digitais', diz Andrew Keen na TNW 2012:]

"A internet está destruindo nossas reputações". Foi seguindo esse discurso que o teórico Andrew Keen, autor de "O Culto do Amador" e do recém-lançado no Brasil "Vertigem Digital", arrancou alguns minutos de palmas ao final de sua apresentação no The Next Web Latin America, nesta quinta-feira (23) em São Paulo. Conhecido por suas críticas à Web 2.0 - que lhe assegurou o apelido de "o anticristo do Vale do Silício" -, o cientista político norte-americano criticou os excessos nas redes sociais.
Conhecido como "anticristo do Vale do Silício", Andrew Keen criticou o excesso de exposição na internet (Foto: Allan Melo/TechTudo)Conhecido como "anticristo do Vale do Silício", Andrew Keen criticou o excesso de exposição na internet (Foto: Allan Melo/TechTudo)
Em seu discurso, Andrew basicamente defendeu a ideia de que criamos uma realidade na internet que não é a verdadeira realidade da nossa vida. Usando o cineasta Hitchcock como referência, o teórico falou do filme "Um Corpo Que Cai", onde um homem se apaixona por uma mulher que na verdade é a imagem do que ele idealiza como mulher, e não ela própria. "A internet está sendo apresentada como a rede que conecta as pessoas, mas isso é uma coisa que não existe", declara.
"Todos os dias eu sou pego por uma nova rede social. Há redes sociais para dirigir, sair, comprar. Não gosto de compartilhar tudo sobre a minha vida. Essas redes incitam a gente a compartilhar tudo. O que nós comemos, o que nós escutamos, o que gostamos, o que fizemos, o que estamos fazendo e o que vamos fazer. (...) Nessa Web 3.0, nós somos a informação", declarou o escritor.
Para atacar o excesso de exposição, Andrew acredita que devemos fazer como Jim Carrey em "O Show de Truman: O Show da Vida". "No final (quando o barco de Truman encosta no fim do cenário e ele abre, escuro por dentro) ele vai para a escuridão, e é isso o que precisamos reconstruir na internet. Estamos todos nos mostrando a todo momento. Não existe escuridão na internet".
Keen defende que a escuridão é a melhor maneira de mantermos nossa reputação e recuperarmos a nossa capacidade em nos recriarmos quando quisermos. "Nós estamos nos destruindo (...) e acabando com a genialidade, com o misticismo, com a complexidade de se viver. Estamos nos tornando narcisistas digitais."
Encerrado o discurso principal, em um bate-papo informal no palco, o teórico ainda revelou que acha o Twitter divertido, mas que "as pessoas mais criativas da internet são as que mais mentem".
saiba mais

13 de agosto de 2012

7 Lições Olímpicas

[Fonte: 7 Lições Olímpicas:]


Eu não gosto muito de assistir TV, mas abro uma honrosa exceção para as Olimpíadas, basicamente por 2 motivos. Primeiro, porque elas ocorrem só de 4 em 4 anos, e duram somente 2 semanas, apresentando um leque bastante diversificado de competições para assistir; e, segundo (e mais importante), porque as histórias de vários atletas rendem metáforas muito interessantes com a vida nossa de cada dia, e podem, portanto, render muitas lições de vida. Abaixo vão sete lições olímpicas dessa que é a primeira olimpíada acompanhada pelo blog Valores Reais.
1. Nunca é tarde para começar de novo.
Hiroshi Hoketsu em ação nos Jogos Olímpicos de Londres 2012

Onde você estava em 1964? É provável que você não estivesse em lugar algum. Aliás, é bem possível que seus pais sequer tivesse nascidos nessa época. :-D
Pois esse atleta aí em cima, do Japão, já estava competindo no hipismo, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no remoto ano de 1964, ano esse em que o Brasil começava a viver no período obscuro da ditadura militar, o Índice Bovespa nem existia, e Pelé acabava de conquistar o bicampeonato mundial com o Santos. Bom, Pelé já está aposentado há muito tempo, e Hiroshi Hoketsu também havia resolvido se aposentar das competições logo que os Jogos Olímpicos de 1964 terminaram.
Mas eis que, em 2003, ele resolve voltar aos treinamentos, conseguindo se classificar não só para as Olimpíadas de 2008, como também agora para os Jogos de Londres 2012, 48 anos depois – MEIO SÉCULO DEPOIS – de sua primeira participação olímpica. Apesar de não ter conseguido obter classificação para as finais, Hoketsu, atleta olímpico de 71 anos, é um dos exemplos mais emblemáticos, extraídos dos Jogos, de que nunca é tarde demais para começar de novo.
2. Ser brasileiro é não desistir nunca.
Esse cara aí da foto merece todo nosso respeito. Diogo Silva é um batalhador, um verdadeiro guerreiro, do taekwondo. Mesmo contando uma precária estrutura para praticar esporte, e lutando contra todo tipo de adversidades, incluindo falta de apoio tanto do setor público quanto do setor privado, numa modalidade esportiva que definitivamente não é das mais reconhecidas no Brasil, Diogo chegou ao 4º lugar em duas Olimpíadas, Atenas 2004 e Londres 2012. Ou seja, está conseguindo se manter na elite de sua modalidade esportiva durante cerca de uma década, o que não é pouca coisa. Agora, imagina se ele tivesse o mesmo apoio e a mesma atenção que recebem certas modalidades futebolísticas recebem em terras tupiniquins…
3. Descubra sua paixão, e você poderá ficar mais de 40 anos no topo
Tão impressionante quanto a história de Hiroshi Hoketsu é aquela vivenciada pelo canadense Ian Millar. Se Hoketsu pode se orgulhar de ser um atleta olímpico setentão, Millar não fica muito longe, pois tem 65 anos. Só que tem um detalhe: Millar competiu em Londres em sua décima Olimpíada. Exatamente. São DEZ Jogos Olímpicos nas costas, sendo a primeira em Munique 1972. Além de ser o recordista de participações olímpicas em todos os tempos, Millar é também um exemplo de perseverança, pois conquistou sua primeira medalha olímpica nos Jogos de Pequim 2008 (bronze no salto por equipes), ou seja, 36 anos depois de sua primeira participação em Olimpíadas.
Em entrevista para o UOL Esporte, ainda às vésperas dos Jogos de Pequim 2008, ele afirmou que:
“Sempre foi fascinado por cavalos e apaixonado por tudo que dissesse respeito a eles. “Quando eu tinha dez anos tive a primeira oportunidade de montar. Foi em um pônei. Uma vez que comecei, nunca parei de encontrar oportunidades para competir.”
Você consegue se imaginar entre os melhores de sua área de atuação durante mais de 4 décadas? Ian Millar consegue.
4. Seja compulsivo em sua preparação. Dedique-se à exaustão. Um dia você vai chegar lá.
O britânico Andy Murray é um tenista persistente. Nos últimos 4 anos, terminou em 4º lugar no ranking da ATP, sempre atrás do trio Federer/Nadal/Djokovic. No competitivo circuito atual, tem-se que treinar muito para conseguir competir de igual para igual com os melhores. E ele é a prova viva da intensa dedicação aos treinamentos, pois ele sabia que, para superá-los, seria preciso se esforçar muito, mas muito mesmo. Já mencionamos um artigo no Twitter, que descreve um pouco da obsessão dele em trabalhar cada vez mais forte para conseguir resultados de excelência:
“Ele é compulsivo em termos de treinamento, táticas, dieta, levantamento de pesos, equipamento, piques de corrida, alongamento, banhos de gelo, massagens, sono. Ele acrescentou massa muscular a seu corpo ainda enxuto e perdeu gordura corporal. Murray consultou um psicólogo esportivo, submeteu-se a testes de intolerância alimentar e – como o sérvio Djokovic – reduziu sua ingestão de glúten a quase zero. Ele contratou treinadores, despediu treinadores, estudou horas de vídeo”.
Em Wimbledon, na mesma quadra onde havia perdido o Grand Slam duas semanas antes, e contra o mesmo Roger Federer, Andy Murray finalmente desencantou, com incontestáveis 3 sets a 0 contra o atual nº 1 do mundo, para finalmente ganhar a medalha de ouro no torneio de tênis.  Uma prova viva de que, com dedicação total aos treinamentos, os resultados acabam aparecendo. Mais cedo ou mais tarde. E você? Está se preparando o suficiente para ser o melhor em sua área?
5. Sempre existirão pessoas dispostas a te jogar pra baixo. Ignore-as.
Acompanhei com atenção, nesses últimos dias, os blogueiros e comentaristas especializados em vôlei, que afirmavam que a seleção feminina do Brasil era “zebra”, que não iria muito longe, que tinha que ficar muito contente com a medalha de prata, patati patatá. E as jogadoras dessa seleção fizeram a coisa certa: ignoraram completamente essas críticas, concentrando-se apenas em seu jogo e em seu trabalho. Agir com confiança, ter controle mental, e saber lidar com adversidades são algumas das qualidades que fizeram esse time ter uma campanha incrível nas Olimpíadas.
E você? Pra quê continuar dando bola para as críticas infundadas de gente que mal te conhece?
6. Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez.
Assim que concluiu sua apresentação nas argolas, o chinês medalha de prata já estava comemorando antecipadamente a medalha de ouro que nunca viria a conquistar. Olhava para as câmeras e fazia o sinal de “primeiro” (o mesmo que Sebastian Vettel faz quando consegue as poles nos treinos classificatórios da Fórmula 1), como se a competição já estivesse definida. Afinal, tetracampeão mundial, o que poderia dar errado?
Eis que surge o Arthur Zanetti, que, com uma estratégia ousada, não titubeou, e fez uma apresentação perfeita, que lhe rendeu a medalha de ouro, a primeira da história da ginástica brasileira. Méritos totais para ele que, assim como o Murray, a Sarah Menezes e tantos outros campeões olímpicos, apresenta uma dedicação impressionante aos treinamentos. Para quem se dedica tanto, o resultado uma hora vem.
7. Divirta-se.
Só se vive uma vez a vida. Faça como Usain Bolt: não a leve tão a sério. :-D
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

4 de agosto de 2012

Desconecte-se e veja o que tem lá fora

[Fonte: Desconecte-se e veja o que tem lá fora:]

 Nesses últimos dias tenho pensado muito sobre o assunto, sempre polêmico, da vida on/off que vivemos pelo menos na última década. Depois de vários acontecimentos na vida pessoal e de algumas crônicas que tenho escritos desde os meus 36 anos de vida, e que por algum motivo besta, parei de escrever, comecei a perceber o quanto está nos fazendo falta ver o que existe lá fora.
Mas aí você me pergunta: lá fora onde? Em qualquer lugar. Qual foi a última vez que você saiu de casa simplesmente para “curtir” o nada? Hoje vivemos a rotina da conexão quase 24 horas por dia. Aqueles que trabalham com Informática, como eu, por exemplo, acabam fazendo da vida lá fora uma extensão do que ocorre dentro.
Hoje a maior parte dos profissionais utilizam a tecnologia para trabalhar, por isso, quando saem de seus escritórios (seja ele dentro ou fora de casa) acabam realizando atividades voltadas somente para aquela rotina diária. Em outros momentos saímos para fazer coisas das obrigações da vida adulta, como pagar contas, ir ao médico, levar os filhos para escola etc. Mas esquecemos de sair simplesmente para não fazer nada.
Isso mesmo: nada. É claro que é bom uma vez ou outra rir com os amigos, sair com o namorada ou esposa, levar as crianças ao parque entre outras coisas mais. Mas o problema é que atualmente acabamos levando o mundo on para onde que vamos. Desligamos os computadores físicos da casa e do escritório e nos conectamos em aparelhos mobile em qualquer lugar.
Fico pensando muitas vezes que o ser humano de hoje fica com “medo” de não saber de nada. Recebemos tantas notícias e informação por segundo depois da invenção da internet que quando ficamos poucos minutos sem o acesso a essa ambiente parece que o nosso mundo vai acabar se não soubermos quem é o novo Trend Topics do twitter ou o assunto mais “curtido” do facebook.
Todos estão vivendo um extremo do mundo on/off. Não sabemos mais lidar com as pessoas. Colocamos todos num pedestal como se fossem mártires em estado de perfeição que quando conhecemos essa pessoa em seu cotidiano nos assustamos por ela ser comum como outra qualquer. Não é porque falamos que “conhecemos” alguém na web que isso significa que sejamos “amigos de infância” dela, mas também não é motivo para criar um cavalo de batalha e achar que estamos mentindo só porque não temos intimidade.
Como citado no primeiro no inicio, estou voltando ao velho hábito de escrever crônicas sócio-político… há muito tempo não escrevo e isto faz falta!!!
Então, estou desconectando temporariamente da minha vida on..
Valeu, Galera! Até um dia!!!

Ps.: Texto pego em partes do profissaojornalista.com.br , mas diz tudo a respeito do que passo!!!

2 de agosto de 2012

Uma álgebra diferente

[Fonte: Uma álgebra diferente:]

John Boole era um sapateiro. Mas não era um sapateiro qualquer, era um sapateiro muito especial. Para ser franco, como sapateiro não deveria ser lá grande coisa. Tanto assim que sua sapataria abriu falência em 1831, o que obrigou George, seu filho mais velho, a sustentar a família – pais e dois irmãos – ainda com a idade de 16 anos. Mas o forte de John era seu amor pela matemática. Um amor tão grande que foi ele que levou John à falência, como consta da biografia de seu filho George no Mac Tutor History of Mathematics: “John’s love of science and mathematics meant that he did not devote the energy to developing his business in the way he might have done” (O amor de John pela ciência e matemática fez com que ele não devotasse a energia que deveria ao desenvolvimento de seu negócio).
Afortunadamente este amor foi transmitido ao filho George, a quem John ensinou matemática desde a infância. George, um menino excepcionalmente inteligente, começou a frequentar a escola aos dois anos de idade, algo não muito comum na época. Aos sete, seu interesse voltou-se para o aprendizado de idiomas. Aprendeu latim com William Brooke, um livreiro amigo de seu pai e mais tarde aprendeu sozinho francês, alemão e grego. E tanto aprendeu que aos catorze anos provocou involuntariamente sua primeira controvérsia: verteu do grego para o inglês um poema de Meleager e o fez tão bem que o pai John, orgulhoso, providenciou que fosse publicado. O que levou um professor local cujo nome não importa a levantar a dúvida sobre a autoria da tradução alegando que “any 14 year old could have written with such depth” (nenhuma criança de 14 anos poderia ter escrito com tal profundidade).
George Boole (imagem da Wikipedia)George Boole (Foto: Reprodução/Wikipedia)
Pois foi este jovem, George Boole, que ainda adolescente foi obrigado a aceitar a posição de professor assistente na Heigham’s School, em Doncaster, Inglaterra, para prover o sustento da família em virtude da falência do negócio do pai. E professor continuou – em diversas instituições de ensino, incluindo sua própria escola, que abriu aos dezenove anos em Lincoln, Inglaterra, até o Queen’s College, em Cork, Irlanda, onde foi Reitor de Ciências – até falecer em 1864, aos 49 anos, como membro da Royal Society.
O interesse de George em matemática avançada começou ainda na adolescência. Aos dezoito anos foi presenteado com o livro de Lacroix sobre cálculo diferencial e integral, o que o levou a aprofundar-se no assunto que já vinha estudando há cinco anos. Dedicou-se ao tema por quase toda a vida e sobre ele publicou mais de cinquenta trabalhos, dois dos quais foram especialmente importantes o “Treatise on Differential Equations” em 1959 e o “Treatise on the Calculus of Finite Differences” em 1860. Ao morrer ainda pesquisava o assunto, deixando inacabada uma obra que foi publicada post mortem por seu amigo Isaac Todhunter.
Mas o que isto tem a ver com uma série de colunas sobre o transistor?
Até agora, nada. Porém, no início da década de 1850, um de seus alunos, Augustus De Morgan, envolveu-se em um debate com Sir William Hamilton sobre o conceito lógico de “quantificação”. O que levou Boole a se interessar pelo tema para ajudar o amigo. E quando Boole se interessava por alguma coisa, o mínimo que se pode dizer, usando linguagem contemporânea, é que ele não deixava barato…
Até então Boole não considerava a lógica como sendo um ramo da matemática. Achava que ela apenas fornecia as bases para desenvolver raciocínios usando a inferência (Do Houaiss: Inferência: “operação intelectual por meio da qual se afirma a verdade de uma proposição em decorrência de sua ligação com outras já reconhecidas como verdadeiras”). Porém, ao se aprofundar no tema, acabou por desenvolver um método simbólico para estabelecer estas inferências. Método este que permitia que as proposições lógicas fossem expressas por meio de equações algébricas cuja manipulação levava à solução da equação e, por consequência, a resolução do problema lógico.
Simplificando: Boole reduziu a lógica a um tipo de álgebra. Que, muitos anos mais tarde (em 1913), passou a ser conhecida como “Álgebra Booleana” por sugestão de Henry Sheffer. E em 1954 George Boole publicou suas ideias em um trabalho intitulado “An Investigation of the Laws of Thought on Which are Founded the Mathematical Theories of Logic and Probabilities” (Uma pesquisa sobre as leis do pensamento que fundamentam as teorias matemáticas da lógica e da probabilidade). Se algum trabalho pode ostentar o caráter de “seminal” é este .
Se levarmos em conta que o tema é totalmente abstrato e que não havia qualquer base teórica até então para apoiar suas ideias, não há como deixar de considerar o trabalho de Boole uma obra extraordinária, quase surreal. Pois ele, usando exclusivamente sua imaginação, criatividade, capacidade de abstração e, naturalmente, seu gênio matemático, conseguiu construir passo a passo, tijolo por tijolo em um desenho lógico (obrigado, Chico), toda uma ciência até então inexistente, estabelecendo desde as operações fundamentais (aquelas mesmas que discutimos nas colunas anteriores, NOT, AND e OR), até as operações derivadas. E, usando isto como base, instituiu os axiomas da nova ciência, deduziu suas leis e estabeleceu métodos para resolver suas equações. Em suma: pela primeira vez a lógica foi incorporada à matemática.
Em suma: Boole criou uma Álgebra do nada como um mágico tira um coelho de sua cartola.
Convém notar que o trabalho de Boole, tão importante que passou a ser conhecido simplesmente como “Laws of Thought”, foi desenvolvido exclusivamente a partir do interesse despertado em George Boole por sua participação na controvérsia entre De Morgan e Hamilton. Não havia qualquer objetivo, digamos, prático, para que fosse escrito. Nem depois de publicado se vislumbrou para ele qualquer aplicação em engenharia e muito menos em eletrônica, um ramo da tecnologia que só veio a surgir no século seguinte.
Resumindo: em termos práticos, o “Laws of Thought” não tinha qualquer serventia.
E foi tratado de acordo: tanto quanto eu saiba, na ocasião em que foi publicado, ninguém deu qualquer importância a ele. Ninguém exceto o próprio Boole, naturalmente. Que percebeu estar ali uma das obras mais importantes jamais publicadas, a base da tecnologia moderna, os fundamentos sobre os quais se assentam a concepção de tudo o que diz respeito às ciências da informática e telecomunicações. E que, mostrando uma espantosa capacidade de previsão, mesmo desconhecendo inteiramente os campos nos quais sua álgebra seria empregada, pouco antes de publicar seu trabalho, em 1851, escreveu uma carta para seu colega e matemático Lord Kelvin afirmando:
“I am now about to set seriously to work upon preparing for the press an account of my theory of Logic and Probabilities which in its present state I look upon as the most valuable if not the only valuable contribution that I have made or am likely to make to Science and the thing by which I would desire if at all to be remembered hereafter” (No momento me dedico à preparação para publicação das bases de minha teoria sobre Lógica e Probabilidade que, em seu estado atual, eu considero a mais valiosa – senão a única valiosa – contribuição que fiz ou que provavelmente farei à ciência e, de todas, aquela pela qual eu desejo ser lembrado no futuro) .
Que notável o poder de antevisão de um gênio! Pois, justamente em virtude desta teoria, não apenas ele é lembrado até hoje como provavelmente jamais será esquecido.
A razão disto veremos na próxima coluna.
Até lá.
B. Piropo

Aplicativo permite transferência de arquivos pelo som

[Fonte: Aplicativo permite transferência de arquivos pelo som:]

Poder transferir arquivos pelo Wi-fi ou Bluetooth usando celulares mais modernos é algo bastante comum, mas você já pensou o quão trabalhoso ou até mesmo inviável seria distribuir algo para centenas, milhares de pessoas? Pois um aplicativo gratuito que acaba de ser lançado para dispositivos iOS pode estar prestes a revolucionar a maneira como enviamos imagens, contatos, textos e URLs de um aparelho para outro.
Criado por uma empresa chamada Animal Systems, o grande diferencial do Chirp e utilizar sons para fazer essas transferências e a única coisa que precisamos fazer é abri-lo, escolher o que deverá ser compartilhado e então um som parecido com o de um pássaro (ou seria com o R2-D2?) será emitido. Os desenvolvedores admitem que no futuro podem fazer com que algo seja enviado a apenas uma pessoa, mas não é esta a intenção.
De forma resumida, tudo funciona com o sistema utilizando um protocolo de áudio e outro de rede para fazer a transferência dos dados, enviando-os para a nuvem e então gerando um código que será convertido em som e posteriormente interpretado pelo programa no dispositivo do destinatário, basicamente funcionando como um link de internet.
Embora o programa exija uma conexão com a web para funcionar, há de se dizer que é possível solicitar o envio mesmo quando estivermos offline, já que o processo será concluído assim que nos conectarmos e mesmo em ambientes com muito barulho ele compre seu papel, pois o programa foi otimizado para ouvir os tons específicos que são gerados.
Agora, se você não conseguiu imaginar uma utilização prática para o Chirp, imagine chegar a uma sala para dar uma aula e através de um único comando, conseguir compartilhar com todos os seus alunos um site com mais informações sobre uma determinada matéria ou então, um anunciante passar para os telespectadores de um programa de TV uma página especial sem precisar que eles anotem uma URL esdrúxula, já que o simples som já faria o site abrir em sus smartphones ou tablets.
Enfim, as possibilidades são enormes e embora seja difícil prever quando uma ideia se tornará padrão, acho muito provável que alguma gigante já esteja de olho na tecnologia e não me espantarei se em breve o Twitter deixar de ser o único passarinho a cantar na internet.

[via Computer World]




29 de julho de 2012

Fazendo planos para a sua carreira

[Fonte: Fazendo planos para a sua carreira:]

Post retirado do site VidaOrganizada.com:



"Frequentemente converso com amigos sobre nossas carreiras e sonhos, e outro dia uma amiga me perguntou o que ela deveria fazer para organizar melhor o que poderia fazer da vida em termos de trabalho. Como ela pareceu gostar das minhas sugestões, transformei-as em post e espero que possam ajudar vocês também.
Eu quero que você responda as seguintes perguntas:

1. Quais são suas metas em relação ao seu trabalho no período de um ano?

De agosto de 2012 a agosto de 2012, o que você pretende fazer? Terminar a faculdade, começar um curso de idiomas, fazer intercâmbio, ser promovida(o) e fazer um curso de extensão estão entre as alternativas. O importante é fazer pelo menos uma dessas coisas.
Quando eu penso na minha carreira e no que preciso ou não fazer, sempre coloco essa resposta em primeiro lugar. Isso significa que nunca ficarei um ano inteiro sem investir na minha carreira de uma forma ou de outra. Ou seja, não perderei tempo.
Se você não tem ânimo para o trabalho atual, talvez as alternativas para o seu caso sejam mudar de emprego, fazer uma especialização em outra área ou até mesmo iniciar outra faculdade. Só para constar, foi o que a minha amiga optou por fazer.

2. Onde você deseja estar daqui a cinco anos?

A mais que esperada pergunta em entrevistas na verdade é uma forma bem legal de reflexão interna. Onde queremos estar profissionalmente daqui a cinco anos? Se você estiver começando agora na faculdade, pode querer conseguir um emprego na sua área. Se estiver se formando agora, pode dizer que deseja já ter concluído uma pós-graduação. Se já tiver feito essas coisa,s pode querer ingressar em um mestrado ou doutorado. Se é analista, pode querer ser gerente. Se é gerente, pode querer ser diretor(a). Ou pode ser que daqui a 5 anos você esteja aposentado(a) e querendo iniciar uma atividade nova. Também pode querer estar com o seu próprio negócio funcionando! São tantas as possibilidades que somente você para responder isso agora.
É difícil pensar nos próximos 5 anos e muitas pessoas dizem que é impossível fazer esse planejamento pois a vida muda o tempo todo. Sim, isso é verdade, mas é importante saber onde você quer chegar. E a única maneira de fazer isso é pensando a respeito sempre que puder.

3. O que você gostaria de fazer para o resto da vida?

Quer trabalhar em um escritório até se aposentar? Deseja abrir um negócio? Quer transformar um hobbie em algo lucrativo? Independente do que for, essa terceira pergunta pode te surpreender. Existe até um conto que não me lembro a autoria que era mais ou menos assim: um cara super rico tinha uma casa na praia, onde um morador local trabalhava como caseiro. Ele nunca ia para a tal casa, pois trabalhava muito. Era riquíssimo, porém. Décadas depois, ele se aposentou e foi para a casa da praia, passar alguns meses sem preocupações. Pegou sua vara de pescar, se sentou ao lado do caseiro na beira do píer e, ao jogar a linha na água, comentou:
- Eu trabalhei a vida inteira para estar aqui agora.
No que o caseiro disse:
- Eu também, mas eu sempre estive aqui.
Ou seja, o senhor aposentado poderia ter feito aquilo desde o início, se soubesse que seu objetivo final era viver daquele jeito.
Essa historinha serve para plantar uma sementinha na sua cabeça agora: o que você está fazendo no momento para viver a vida que sempre quis? E pergunte-se também se a vida que você sempre quis já não está ao seu alcance enquanto você vive uma ilusão equivocada.
Outro dia eu cheguei à seguinte conclusão: a gente sabe que encontrou nossa missão quando não vê mais diferença entre vida pessoal e trabalho. Isso não significa amar um trabalho que na verdade você só ama o salário, nem largar tudo e morrer de fome com seu livro preferido embaixo do braço. Significa encontrar a sua verdadeira vocação (seja qual for) e viver de acordo com o que você acredita.
Isso é difícil de encontrar. Enquanto você não encontra, vá seguindo o que você acha certo no momento, simplesmente. O que não te levará alugar algum é ficar parada(o), com toda a certeza. Por isso, espero que definir essas metas de 1 ano, 5 anos e para toda sua vida te ajudem a pensar a respeito do que você quer ser “quando você crescer”.
Um bom domingo para você."

18 de julho de 2012

Curso de Desenvolvimento Web com Python e Django: uma playlist original e grátis no YouTube

Essa foi publicada no br-linux!

[Fonte: Curso de Desenvolvimento Web com Python e Django: uma playlist original e grátis no YouTube]
O @osantana (ou Osvaldo Santana, como a família dele preferia), que alguns de vocês possivelmente conhecem da comunidade brasileira de desenvolvedores Python, publicou os seus vídeos preparados para o curso de Python e Django, na forma de uma playlist completa no Youtube.
A descrição oficial é “Curso completo de desenvolvimento de aplicações Web com Python e Django no formato de screencast e apresentado por Osvaldo Santana Neto.”
Você também pode comprar o livro dele pra acompanhar o curso. Eu li e recomendo! (via youtube.com – “Curso de Desenvolvimento Web com Python e Django – YouTube”)